A História de Doctor Who – O progresso na TARDIS deu tilt

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No último episódio, vimos como Tom Baker, um ilustre desconhecido com grande cabelo e um grande cachecol, assume o papel mais disputado da televisão inglesa, e se torna a verdadeira encarnação do personagem para toda uma geração. O que na época não se imaginava é que a longa estadia de Baker como Doutor, com toda a pressão e toda a expectativa, acabaria por fritar o cérebro do ator…

A personalidade dispersa e argumentativa de Baker, aliada a um problema com álcool e o poder que só a fama acaba trazendo, acabou dando ‘tilt’ no ator, que por vezes não conseguia determinar onde começava sua personalidade e onde começava o texto do seriado. O cansaço de manter a produção no ritmo alucinado dos anos 1970 também causou diversos atritos, embora todos os registros garantam que Baker era uma pessoa muito fácil de lidar, desde que não estivesse num dia ruim… Elisabeth Sladen (Sarah Jane Smith), por exemplo, tinha adoração por ele, e vice-versa – e a amizade dos dois perdurou até a morte da atriz.

A despedida de Sarah Jane Smith – a cena foi totalmente escrita por Tom Baker e Elisabeth Sladen.

Mas para tudo há um limite, e o limite da paciência de Tom Baker foi um homem chamado John Nathan-Turner. Se vocês pensam que a discussão S. Moffat X R.T. Davies é quente, saiba que até hoje os fãs mais vintage discutem se Nathan-Turner estragou ou salvou DW.

John Nathan-Turner, o nono (e mais polêmico) produtor da série, em foto de 1986

Ele foi convocado para produzir a série a partir de 1980, e tinha uma série de ideias para modernizar o programa. Tendo começado a carreira em DW na supervisão dos roteiros, ele já tinha trombado de frente com Tom Baker diversas vezes – não era raro o ator mexer nos textos e mudar a direção de cena para acomodar a sua visão do personagem, coisa que a direção da BBC não gostava, mas que não tinha coragem de impedir por conta do grande sucesso do programa.

Como produtor, ele modernizou a abertura e o figurino do Doutor – o famoso cachecol ganhou tons mais sóbrios e ficou um pouco menor, embora o novo produtor tivesse pedido que o artefato fosse removido de cena (é tipo imaginar o Dez sem seus All-Star ou o Onze sem a gravatinha…).

A abertura de 1980, com uma pegada mais eletrônica (para a época)

JNT, como ele é mais conhecido entre os fãs, trouxe de volta velhos vilões, como Omega e o Master, além de velhos conhecidos do Doutor, como o Brigadeiro. Também mandou destruir a Chave de Fenda Sônica e remover o mascote do Doutor, o cachorro biônico K-9 (que ganhou um programa próprio com Elisabeth Sladen, K9 and Company, infelizmente sem  sucesso).

A confusão foi tamanha que Tom Baker, enfurecido com tantas mudanças e sem a chance de continuar se metendo na produção como gostava, tomou uma decisão drástica: pediu demissão. E, para o choque de um país inteiro, a demissão foi aceita.

Para causar ainda mais rebuliço na mídia – e deixar os fãs ainda mais nervosos – algum engraçadinho (com a anuência de Nathan-Turner e de Tom Baker) mencionou que a próxima encarnação do Doutor seria uma mulher. Na verdade, o próximo Doutor já estava escolhido desde o momento que Baker decidiu partir. E só o sortudo ator em questão é que não sabia…E isso fica para um próximo post!

Adeus cachecol, olá chapéu branco e vegetais na lapela…

PS da autora – peço desculpas pelo sumiço nos últimos meses. A situação na vida fora da TARDIS estava complicada. Obrigada pelo apoio e por terem esperado 😀

2 comentários em “A História de Doctor Who – O progresso na TARDIS deu tilt

  • 09/03/2013 em 9:51 PM
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    Mal pude acreditar quando vi na página principal o link para o artigo!! *-* Fantástico! 😀 Espero que terminem a série neste ano para combinar com a comemoração dos 50 anos. ;D

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  • 10/04/2013 em 1:06 AM
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