“A História de Doctor Who” II – Até os Doutores se cansam

No episódio passado, vimos como Patrick Troughton e Frazer Hines mantiveram “Doctor Who” como um grande sucesso, sem necessariamente imitar seus antecessores. Só que isso não veio de graça…

Por conta do sucesso da série, o ritmo de gravações era mais do que frenético – era simplesmente insano. Eles chegavam a gravar 44 episódios por ano (ironicamente, por problemas de arquivo da BBC, a maioria dos episódios com Troughton e Hartnell não existe mais). A canseira acabava vencendo, mas o show não podia parar: quando Frazer Hines ficou gravemente doente no meio das gravações, os produtores não tiveram dúvida: colocaram outro ator para ser o Jamie em um episódio inteiro (a desculpa é que o escocês tinha sido “desmontado” por um inimigo – o Doutor tinha que “remontá-lo” a partir de uma série de fotos de outras pessoas. Distraído como era, o Segundo Doutor acabou montando o Jamie errado!).

No final, Hines participou de 117 episódios de DW, tornando-se assim o companion que mais tempo permaneceu nas telas. Ele chegou até a lançar um single como cantor, “Who’s Doctor Who?” (cujo fracasso de vendas mostrou que, como cantor, Hines era excelente ator…).

Porém, em 1969, Troughton estava com a carta de demissão pronta. Cansado e com medo de permanecer datado, ele decidiu sair de cena enquanto ainda era capaz. Hines e Wendy Padbury acabaram acompanhando Troughton na decisão – já que ele ia embora, eles também iam. Em um documentário sobre Patrick Troughton (que faz parte dos extras de um dos DVDs da série clássica), Frazer Hines explicou: “se a gente não saísse naquela hora, teriam que nos abater a tiros, porque estávamos nos divertindo horrores”.

Isso inaugurou o que hoje é conhecido entre os atores de TV britânicos como Regra de Troughton – sair de um programa antes que você acabe ficando marcado demais por ele. Foi o que Troughton recomendou a Peter Davidson quando eles trabalharam juntos em “The Five Doctors” (e, por sua vez, foi o que Davidson passou para seu futuro genro, David Tennant, quando eles contracenaram em “Time Crash”).

A cena da regeneração não contou com a presença do novo Doutor. De tanto ir contra as leis de seu povo, ainda que para ajudar os outros, ele foi forçado pelos Time Lords a se exilar na Terra e a regenerar, enquanto Zoe e Jamie eram mandados de volta para casa sem memóra alguma do tempo em que estiveram na TARDIS. Com isso, terminou a era de Troughton  e também a era dos episódios em preto e branco – dali para a frente, DW seria filmado em cores, uma tecnologia novíssima da BBC.

***

Novamente, os produtores se viram com um colossal pepino nas mãos: como substituir o Doutor? Dessa vez, o candidato ideal veio pedir o emprego! Mas isso é história para um próximo episódio…

Discrição? Isso é tão regeneração passada!

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6 comentários em ““A História de Doctor Who” II – Até os Doutores se cansam

  • 20/04/2012 em 3:15 PM
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    Teriam de ser abatidos a tiros, rsrsrsrs.
    Mas, acho na série moderna, que se compõe em média de apenas 13 epis., o ritmo é mais frenético ainda. Tempos modernos, meus caros. Inclusive, acho que Moffat (juntando DW com Sherlock Holmes) já perdeu uns 10 anos de vida, tadinho…

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  • 21/04/2012 em 12:18 PM
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    Ah a era em cores, uahauhauah aguardando ansiosa o próximo episódio com meu amado Pertwee *-* enfim…
    Lançando a campanha Sean Pertwee substitua seu pai no cinquentenário \o/
    Parabéns pela matéria, maravilhosa como sempre!

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  • 25/04/2012 em 4:35 PM
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    Alguém tem alguma notícia sobre o lançamento do box da primeira temporads do Dr. Who?

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  • 01/05/2012 em 12:25 AM
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    A última imagem e a legenda dela são hilárias!

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  • 25/09/2012 em 12:45 PM
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    essa “Regra de Troughton” deverai ser aplicada na tv aberta brasileira

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  • 17/10/2012 em 4:08 PM
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    o engraçado é que ele ficava mais novo quando regenerava para outra pessoa… ficava mais novo com mais idade…. não da para acreditar que essa ideia foi no improviso … <>

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