A História de Doctor Who, parte V – Lindo, Loiro e com um Aipo na Lapela

No último episódio da série, vimos como o produtor John Nathan Turner decidiu mudar tudo em “Doctor Who”, o que levou o Quarto Doutor – Tom Baker – a pedir demissão da série. E quem, afinal, poderia substituir o mais famoso e carismático de todos os Doutores até aquele instante?

John Nathan Turner tinha um nome em mente desde sempre –um ator jovem, bonito e completamente diferente de Tom Baker. A escolha caiu sobre os ombros do londrino Peter Davison (nome de batismo Peter Moffet), na época com apenas 29 anos (ele é de 13 de abril de 1951). Ele entrou em cena oficialmente em 21 de março de 1981, no último episódio do arco “Logopolis”

A regeneração de Quatro para Cinco

Filho de um engenheiro elétrico nascido na Guiana e de uma dona de casa, o jovem Peter Moffet fez vários bicos –incluindo um tempo como funcionário de um necrotério- até entrar na Central School of Speech and Drama, em Londres –o que faz dele o primeiro Doutor com diploma de terceiro grau. Ele escolheu o nome artístico Peter Davison para não ser confundido com o diretor Peter Moffat (nenhum parentesco com o Stephen), que ironicamente veio a dirigir vários episódios clássicos da era Davison, como “The Five Doctors” (1983).

Davison, ao contrário de seu antecessor, era bem conhecido na televisão britânica – ele tinha sido o veterinário Tristan Farnon na série All The Creatures Great and Small, de grande sucesso na época. O ator também participou de vários programas na BBC, incluindo a primeira versão do clássico O Guia do Mochileiro das Galáxias, onde ele atuou ao lado da então esposa, Sandra Dickson (que fez o papel de Trillian).

Pausa: sim, a mãe da “filha do Doutor” é a Trillian… Os fandons colidem e a cabeça de todo mundo explode com essas coisas…

time crash

E além disso ele é sogro de outro Doutor. O Natal dessa família deve ser um troço imperdível

Davison aceitou o papel em boa medida porque não existia algo maior na televisão para ser do que o Doutor. Mas ser o Doutor depois de Tom Baker não foi tarefa das mais fáceis. A empáfia e os jelly babies voaram pela janela da Tardis, e o Quinto Doutor ficou conhecido por ser um pacifista com um lado vulnerável muito grande e uma tendência por vezes irritante à indecisão.

Nathan Turner definiu a era do Quinto Doutor como um “retorno às origens” da série, e  o humor exagerado que tinha se tornado marca da gestão anterior foi reduzido ao mínimo possível. O famoso aipo na lapela é culpa do departamento de figurino –ninguém sabe quem foi o engraçadinho que saiu-se com a ideia, mas o Doutor explica no episódio “The Caves of Androzani” que o vegetal ficaria roxo na presença de gases aos quais ele seria alérgico. Caso isso acontecesse, ele deveria comer o aipo para se curar, adicionando “se não servir para nada, tenho certeza que é bom para meus dentes”.

Como o público reagiu a um ator conhecidíssimo como Doutor? Como ficaram os órfãos de T. Baker (e esses eram muitos)? Isso eu conto no próximo episódio…

A abertura de “DW” na Era Davison – e sim, vocês leram “Ressurreição dos Daleks”…

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