Dossiê DWBR – Quase lá e de volta outra vez: Entendendo o Valeyard

Aqueles que assistiram o finale da 7ª temporada escutaram por um breve momento o nome Valeyard.

E ele terá outros nomes antes do fim. A Tempestade. A besta. O Valeyard.

E independente de ser um fã mais moderado ou um mais agressive, esse nome vem permeando as mentes e as teorias de whovians por gerações.
Foi com o intuito de dar uma luz nas dúvidas de todo mundo que o Doctor Who Brasil resolveu fazer esse post.

O pano de fundo

Em 1986, na época do 6º Doutor, a temporada foi um tanto quanto fora do padrão. Ao invés de arcos soltos (que normalmente eram uns 4 por temporada), o público teria um grande arco feito com nada mais nada menos que 14 episódios!
Nesse arco, The Trial of a Time Lord, o Doutor era posto em julgamento onde o advogado de acusação era o então desconhecido Valeyard. Nele, a acusação mostrava cenas da Matriz de Gallifrey (algo como uma caixa preta que registra a vida dos Senhores do Tempo) que incriminavam o Doutor (cenas essas levemente alteradas para, de fato, conseguir incriminar o Doutor), alegando que sua interferência era extremamente nociva para a história em si. Essas cenas, no caso, eram os “mini-arcos” dentro desse megabogaarco.

Já entrando na área de Spoiler (bem, é de uma coisa que tem praticamente 30 anos…nem sei se conta como spoiler, mas…), no final do arco é revelado (pelo Mestre, que aliás, acaba se mostrando de uma tremenda ajuda, servindo de advogado de DEFESA do Doutor) que o Valeyard era (ou iria) ser o próprio Doutor!

“O Valeyard é a amalgama dos lados sombrios da sua natureza, em algum lugar entre 12ª e a última encarnação. E se me permite, você não melhorou com a idade.”

Pra quem tem por hábito ler HQs, provavelmente está familiarizado com o termo “What If…”, ou no bom português, “e se…”. Pois é, o Valeyard é um grande “e se…”.

Algo do tipo “O que aconteceria se o Doutor descambasse de vez para o lado sombrio? Como ele seria?”.

Essa então “Regeneração sombria” do Doutor tinha como principal intuito roubar todas as regenerações restantes que o senhor do tempo teria até chegar ao seu “fim”.

Por fim, como era de se esperar, o Doutor dá o jeito dele de frustrar os planos do inimigo e sai por cima, salvando assim sua própria linha do tempo. O Valeyard, no entanto, não foi derrotado de fato, tendo conseguido escapar de seu fim se disfarçando de O Guardião da Matrix de Gallifrey.

O que é bom mal volta

“No jogo de xadrez, os peões vão na frente”

Depois dos acontecimentos do arco, o Valeyard chegou a aparecer de novo em livros da série. Sempre se agarrando ao plano original de matar o Doutor e pegar o que restava de suas regenerações. Houveram tentativas notáveis, entre elas, nos eventos da novel “Matrix”, onde o Valeyard, na tentativa de matar o (7o) Doutor, criou uma Matriz Negra, que ele usava para influenciar negativamente sua linha do tempo no passado, fazendo com que o Doutor cometesse atos que nunca deveriam ter acontecido. Entre eles:

  • O 1º e o 4º Doutor destruindo os Daleks por completo (nos acontecimentos de “The Daleks” e “Genesis of the Daleks” consecutivamente)
  • O 5º Doutor deixar Peri, sua companion da época, morrer em seu lugar

No meio de tal saga, o vilão assume a alcunha de, ninguém mais ninguém menos, do que Jack, o Estripador, onde ele usava os assassinatos que ele ia deixando pelo caminho para alimentar a Matriz Negra.

No final da trama, a Matriz Negra acaba sobrecarregada e a energia termina por destruir o próprio Valeyard.

“Aaaaaaaaaah,  mas eu queria saber o que teria acontecido se ele tivesse ganhado!”

Cara do Doutor na abertura? Bem, mais ou menos…

Um dos maiores problemas de se ter um vilão tão bem elaborado é que, por vezes, a gente acaba querendo saber como seria o rumo da coisa se ele saísse vitorioso.

Provavelmente pensando nisso foi que, em 2003, Gary Russel escreveu o audiodrama “He Jests at Scars…”. A história é um “What If”, onde o Valeyard saía vitorioso do julgamento, e conseguia as regenerações restantes do Doutor.

O desfecho dessa história não é dos melhores. Após sair do tribunal, ao lado da companion do Doutor, Mel Bush, o vilão pega a TARDIS e deixa Gallifrey. Contudo, a existência de Valeyard por si só já é um paradoxo, algo que nunca deveria ter acontecido, o que faz com que a TARDIS, depois do desenrolar de eventos da história, se trava no espaço-tempo, e o Valeyard vê então que sua existência como vitorioso é um erro que acabaria por destruir ele mesmo com o tempo. Sabendo disso o ele simplesmente fica dentro da TARDIS, num canto, definhando…

Então, depois dessa mini aula Valeyarística as coisas ficaram mais claras? Mais confusas? Mais wibbly wobbly?
E aí, será que ele tem alguma ligação com o tal “Doutor Esquecido” de John Hurt?
Contem pra gente suas teorias, seus comentários, dúvidas e afins aqui embaixo!

[Atualização]

Bem, como todo mundo já sabe, o Doutor de John Hurt nada mais era do que a simpática encarnação entre o 8º e o 9º Doutor, que havia abdicado do nome do Doutor por conta de se tornar um Guerreiro. Ok, beleza, todo mundo viu Day of the Doctor.

Porém (HA! Sempre tem um porém), agora com a vinda de Peter Capaldi, estamos vendo um Doutor mais sombrio, que chega as vias de fato, como visto em Deep Breath, e segundo o Mestre no próprio arco de The Trial of a Time Lord “O Valeyard é a amalgama dos lados sombrios da sua natureza, em algum lugar entre 12ª e a última encarnação”. A essa altura do campeonato nós já sabemos que o Doutor já passou de sua 12ª versão, ou seja, já podemos começar a desconfiar na vinda do Valeyard daqui pra frente!

Como se não bastasse, na coletiva de imprensa, realizada em 18/08/2014, pouco antes do eventos para fãs na Doctor Who World Tour, a equipe do Doctor Who Brasil teve o privilégio de perguntar ao próprio Capaldi, na presença de Jenna Coleman e Steven Moffat, “Peter, from fan to fan, be my pal and tell me, are you the Valeyard?” (“Peter, de fã pra fã, seja meu amigo e me fale, você é o Valeyard?”). A pergunta a princípio deixou tanto Peter quanto Moffat desconcertados, e a resposta, sendo dada com começos de gaguejadas terminou em um bem humorado “Eu não sei. Talvez sim, talvez não. E é aquilo, se eu te contasse agora teria que te matar”.

O que podemos constatar de tudo isso? Bem, nada mais do que teorias. Mas afinal, não é essa a melhor parte?

Freddy Pavão

Freddy Pavão é publicitário, nerd, gamer, podcaster e entusiasta da série clássica. Começou a ver Doctor Who em 2008. Doutor favorito: 7º. Companion favorita: Ace. Vilão favorito: Valeyard!

21 comentários em “Dossiê DWBR – Quase lá e de volta outra vez: Entendendo o Valeyard

  • 29/06/2013 em 3:01 PM
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    Valleyard ainda me confunde. Principalmente o fato dele surgir entre a 12ª e a 13ª regeneração do Doctor e mesmo assim ta no julgamento do 6º, o que é confuso já que Gallifrey ta bloqueada e… ai me cérebro!

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  • 29/06/2013 em 4:10 PM
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    Tem algum site onde eu posso baixar uma legenda ou uma dublagem dos audiodramas, queria muito escutar mais deve estar em ingles

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  • 29/06/2013 em 7:31 PM
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    Isso é obvio ,se ele fosse pro lado negro seria um TIME LORD DE SITH!!! era bolas kkkkkkk…..complexo esse personagem,alem de ter 11 personalidades ainda há o alter ego dele…que confusão.

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    • 07/07/2013 em 2:03 AM
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      tem 11 encarnações, tem a encarnação perdida (john hurt), tem o lado negro (valleyard), tem o watcher, o dream lord, o doctor-donna… hauahauaha etc etc. falta muito pra eu chegar na história do valleyard (to vendo na ordem, atualmente no finalzinho da era do 3º doctor), mas ainda assim, ja to curiosa. ótimo post do site!

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  • 01/07/2013 em 6:46 PM
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    Minha teoria é q o Valeyard é fruto de uma linha do tempo abortada onde Gallifrey nunca foi destruído, onde sob influencia dos Senhores do Tempo, na sua última regeneração, o Doutor se dividiu em dois.

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  • 06/07/2013 em 1:50 PM
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    Pra mim o Valeyard seria como aquela manifestação dos Sonhos do Doutor no “Amy’s Choice” só que num plano real.E como o Doutor do Hurt gastou um regeneração o 12° Doutor seria a ultima encarnação dele.Imagino que ele aparecerá na nova temporada como manifestação e que o 13° Surgirá após um Confronto com ele(e quem sabe com os Time Lords retornando outra vez)

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  • 01/08/2014 em 4:18 PM
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    Já era hora de fazer uma errata/atualização no final do texto, pois quem assistiu Day of the Doctor já sabe que o “Doutor” do John Hurt não tem a ver com Valeyard.

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  • 29/10/2015 em 2:31 AM
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    O difícil em Doctor Who é fazer essas teorias de fã, porque em um episódio a gente pode despencar tudo ao descobrir que uma personagem que estava ali o tempo todo não estava de verdade (como em “The Flesh” e a relação de Amy com o Silêncio) ou coisas deste tipo, mesmo assim tem como excluir e definir certas coisas. O Capaldi surgiu na 12ª encarnação como Capaldi para se lembrar que ele ainda é o Doutor apesar de tudo (pelo personagem dele em “The Fires of Pompei” (no qual Karen Gillian tambem tem um papel sem importância) e o resultado da conversa dele com a Donna), com isso podemos entender como um “Eu sei que o Valleyard está vindo então vou dar uma dica pra mim mesmo.” como se fosse seu préconciente falando. Podemos perceber que quando Capaldi lembra (na nona temporada) de onde ele tirou “esse rosto” ele começa a se tornar um pouco menos frio sem perder seu lado mais sombrio. Creio que isso deixou ele menos vulnerável ao Valleyard.
    Mudando de assunto só queria comentar que nosso Agente do Tempo favorito (Capitão Jack Harkness) foi citado em S09E06, se ele aparecer de novo eu vou pirar por que sou fã dele (ele é meu não-companion favorito), mas creio que não vai acontecer nada. Ainda não terminei de assitir Torchwood mas estou assistindo.

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  • 03/02/2017 em 9:54 PM
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    Lembra do que o Doctor do Matt Smith falou? O War Doctor é a nona regeneração, apesar de não ter número dado, e o do David Tennant regenerou duas vezes, sendo que a primeira ele manteve o rosto. Então o Doctor do David é a décima primeira e a décima segunda regeneração, e a do Matt a décima terceira. Por isso que ele só regenerou e não morreu graças a Clara que pediu aos senhores do tempo mais regenerações para ele (provavelmente mais 13).
    E… em uma comic que la dos EUA diz que o Valeyard não é nada mais nada menos que o Meta-Crisis do Doutor do David Tennant. Fico pensando o que aconteceu com a Rose por conta disso.

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    • 06/02/2017 em 9:12 AM
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      Em The Forgotten? Realmente, o Meta-Crise assume a roupagem do Valeyard no desfecho dessa HQ, mas a história deixa bem claro que toda a aventura não passou de uma alucinação do 10º Doutor, enquanto sozinho na TARDIS, por conta do Es’Cartrss parasitando o cérebro dele.

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